Redução da maioridade penal X Escola
Pode parecer redundante falar sobre violência, crime e escola novamente, assunto que já foi previamente abordado no texto “Violência e drogas nas escolas”, também de minha autoria. Contudo, este é um assunto que volta a bater na mente dos cidadãos de bem.
O caso do garoto João Hélio, de 6 anos, no Rio de Janeiro, há poucos dias, trouxe à tona todo um debate sobre segurança. Isso fez que muitos assuntos e projetos de leis, antes esquecidos, reaparecessem nos discursos políticos.
O projeto mais polêmico é o que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. As opiniões se dividem, claro. José Serra (Governador de SP) e Cezar Britto (presidente nacional da OAB), por exemplo, são contra:
“Reduzir a idade penal é fugir do problema social da violência e da desorganização do Estado. Esse triste episódio nos mostrou o despreparo do Estado com relação à questão da segurança pública. O momento não é de acomodação, mas de ação.” (Disse Britto - FOLHA)
Por outro lado, segundo pesquisa publicada pelo Datafolha, em Janeiro de 2004, 84% da população apoiariam a redução da maioridade penal. Alguns políticos dizem que não se pode discutir esse projeto de “cabeça quente”, mas se não o discutirmos agora, quando vamos retomar o assunto? Ainda mais um assunto que já se encontrava na gaveta. Por que não foi discutido antes, com a “cabeça fria”?
Independente das divergências, uma única coisa, talvez, aceita por todos, é que apenas a redução, por si só, não obterá efeitos muito favoráveis. Ou seja, é necessária uma reforma na educação e na sociedade para que se evite que jovens se iniciem no crime. Apenas reduzir para 16 anos a maioridade penal seria como “tapar” um problema com a peneira, em vez de tentar curá-lo.
É então que entra o papel da escola. E, também, do governo. Os projetos de como se melhorar a educação e tirar cada vez mais jovens da rua, dar-lhes instrução etc., como já discutido aqui, não devem ser esquecidos, nunca.
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Tendo uma visão sistêmica e ampla, ao invés de pensar em causa-única para problemas desse porte, fica mais fácil entender o que argumentamos neste site. De fato eu, particularmente, não vejo o quanto a redução da maioridade penal pode resolver o problema da violência. A FEBEM, abandonada e encoberta, mostra-se falida em SP, não recupera, e sim serve de escola do crime. Acho que o comum, aqui no Brasil (e não só aqui), é tomar decisões de emergência, enquanto as coisas estão quentes… Enquanto a imprensa não esgotar o caso do garoto de 6 anos, esse tema vai estar em pauta… possivelmente, seja até votado. Mas o que temos visto é isso: quando a coisa esfria, muito pouco é feito para uma resolução real dos problemas.