O possível fim da autonomia das universidades paulistas
O governo de José Serra em São Paulo começou com medidas para o ensino superior que deixaram muitas pessoas preocupadas. Serra criou uma secretaria do Ensino Superior, e vinculou as universidades UNICAMP, USP e UNESP a ela. Como dois professores da UNICAMP afirmaram para a Folha, elas eram, até então, “parte da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, o que se justificava plenamente por seu caráter básico de universidades de pesquisa”.
Por decreto, o secretário de Ensino Superior, José Pinotti, ex-reitor da UNICAMP, passou a ser presidente do CRUESP - Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo - tendo, assim, poderes de “super-reitor”, podendo intervir diretamente nas decisões das universidades, diminuindo ou acabando com sua autonomia.
Essa medida polêmica foi revertida por Serra após críticas dos reitores e de outros interessados. Porém, uma nova medida causou novas preocupações: a retenção de verbas para as três universidades. Do repasse deste mês, A USP teve uma perda de R$ 11,5 mi, a UNESP recebeu apenas R$ 2,4 mi dos R$ 12,7 e a UNICAMP recebeu R$ 5,5 mi a menos. E Pinotti disse que o contingencionamento é pequeno!
A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) também criticou a retenção de verbas e o possível fim da autonomia das universidades, no novo governo:
A redução de recursos e o “contingenciamento” financeiro já neste primeiro mês de novo governo é exemplo péssimo e incompreensível, que prejudica o sistema nacional de C&T e fere compromissos financeiros que sustentam a autonomia universitária no Estado de São Paulo. Essa política, se mantida, causará danos também a todo o ensino superior do país.
O governo minimizou a medida, e disse que aguarda apenas a aprovação do Orçamento deste ano.
Serra, não entendo muito disso, mas você tem maioria na Assembléia… e seu partidário tinha no governo anterior. Aliás, seu partido governa o Estado há 13 anos. Acho engraçado, também, essas medidas para “limpar as contas”, rever contratos, etc., que são feitas geralmente quando políticos da oposição assumem o governo. O que isso significa?
Acho que é momento de manter os olhos e ouvidos atentos, e, como disseram Pacoré e Hardman, não deixar que as férias impeçam um debate sobre a natureza e o efeito desses decretos.
Leia mais sobre o assunto…
- A sobrevivência da autonomia universitária (José Tadeu Jorge, reitor da Unicamp)
- Em nota, SBPC critica retenção de recursos
- Serra engessa orçamento de Universidades
- Serra retém verbas da Unicamp, USP e Unesp
- Cruesp volta a ser presidido pelos reitores
- Serra e o fim da autonomia universitária
…e veja alguns blogs por onde ele ecoou:




Nós alunos das universidades estaduais não podemos deixar de discutir debater e nos organizar para barrar esse absurdo q está acontecendo. Além de defender interesses nossos, vamos estar defendendo o interesse de toda a sociedade pois é daqui (nas universidades) que sai toda a melhoria e desenvolvimento q nosso país produz, se isso vir a diminuir ou acabar vamos cada vez ficar mais dependentes não só do capital externo, mas tmb da tecnologia externa.