Manuais de Ortografia para o novo Acordo Ortográfico
Como todos agora sabemos, a Reforma Ortográfica é pra valer! Em 2009, entraremos no primeiro ano do período de transição. Para mais informações, acesse o site da CPLP.
A Parábola Editorial publicou um conjunto de artigos do Carlos Alberto Faraco sobre a reforma. Veja mais informações aqui ou baixe diretamente o arquivo em .pdf neste link. (Parágrafo atualizado em 23.12.2008)
A Livraria Melhoramentos está distribuindo um Guia da Reforma Ortográfica (Michaelis), em .pdf, que pode ser baixado aqui – dica da Débora.
Há ainda vários títulos lançados para ajudar no aprendizado dessas novas regras, do Houaiss, do Bechara (outro) etc. Os preços vão de R$14,90 a R$34,90.
A FMU lançou um guia e um game da Reforma Ortográfica. Para saber mais e fazer o download, clique aqui!
O site da TVCultura também disponibiliza alguns vídeos com o Professor Pasquale tirando algumas dúvidas sobre a reforma. Confira aqui!
Baixe já o seu ou corra comprar algum guia!
Leia mais no artigo do Futuro Professor: Reforma Ortográfica.
Vale colocar aqui trechos de uma entrevista dada pelo lingüista, digo, linguista José Luiz Fiorin (USP) ao Sindicato dos Professores de São Paulo. A entrevista é de setembro de 2007, mas traz esclarecimentos importantes sobre a Reforma.
“(…) o senhor pode diferenciar reforma ortográfica da idéia de unificação ortográfica?
A ortografia não reflete exatamente o que é uma língua. A ortografia é uma convenção, regida por lei, que retrata graficamente as palavras de uma língua. Agora a língua mesmo é bem mais que isso. A gente fala, a gente se expressa, a gente ama, a gente se desespera e a gente mostra o que é em Português. A língua é isso, é essa tradução da identidade do povo. A ortografia é só a representação gráfica disso tudo. E ela não é capaz de refletir com exatidão. A gente fala “di dia”, e a grafia correta é “de dia”. A gente fala “lobu”, e a grafia é “lobo”. Então nem sempre a grafia é a representação mais fiel da língua, fora os sotaques, as entonações, as variações regionais, tudo isso. Uma reforma radical da língua apontaria na direção dessas mudanças. Adaptar a língua escrita à língua falada. E por que os países não fazem isso e por que não foi isso que o acordo propôs?Porque seria trabalhoso demais repor todo o material gráfico dos países, por exemplo…
Sim, mas mais do que isso, porque em coisa de duas gerações todos os livros e materiais didáticos estariam obsoletos e há países com milênios de cultura letrada e eles não se arriscam a perder esse patrimônio. E também a escrita traz as tradições, a história e a identidade de cada lugar. Reformar tudo isso é se desfazer de uma parte dessa trajetória e isso nem sempre é interessante.Essa é a reforma. E o acordo de unificação ortográfica, o que ele prevê, em linhas gerais?
O que os países de Língua Portuguesa acordaram foi unificar as formas de escrever aquelas palavras que são escritas diferentemente em cada localidade. Então “batismo”, que é “baptismo” em Portugal, perderia o “P” e seria escrito batismo. Isso porque, embora o “P” esteja lá, ele não é pronunciado. No caso de “facto”, o “C” é pronunciado, então a solução é outra. Nesses casos, foram mantidas as duas formas de grafar: “fato” e “facto”. As duas passam a ser corretas e oficiais. Então veja que as diferenças foram respeitadas. Só se mudou aquilo que diferia muito nas grafias de cada língua e só aquilo que não ia mudar demais a relação dos falantes com o português. Ainda para garantir isso, “econômico” e “econômico” passam a ser grafias corretas, assim como “Antônio” e “António”, “fêmur” e “fêmur”. Então aquele argumento de que não é uma unificação verdadeira porque permite duas grafias é uma bobagem, porque as duas grafias passam a ser consideradas oficiais. Então unifica o valor de ambas.(…)
O trema vai fazer falta?
Não, que nada! Ninguém nem usa mais e, além disso, não é o acento ou a trema que possibilitam a total compreensão da palavra e do seu sentido no texto, é o conhecimento da língua, a proximidade dos significados das palavras. A gente é absolutamente capaz de entender quando se quer dizer “amara” ou “amará” pelo sentido do texto, mesmo que o acento não esteja lá. O acordo não vai derrubar isso, mas o que quero dizer é que é mais importante as pessoas conhecerem e saberem usar a língua que manter o trema, ou o acento diferencial.(…)
Então a língua portuguesa não está correndo riscos?
Não, não mesmo. Não corre, e não vai correr enquanto as pessoas conversarem em Português, fofocarem em Português, se declararem amorosamente em Português, usarem o Português para expressar os momentos mais profundos de sua existência e também nos momentos mais íntimos e rezarem e xingarem em Português. A língua é viva, independentemente da forma como seja grafada. O que é preciso olhar é que, no Brasil, a gente tem sim um problema de compreensão na leitura e de redação dessa língua. Mas não por conta dos acentos ou do trema. É por um problema de ensino mesmo. É o Português ensinado e aprendido nas escolas o problema. E a razão para isso é que a Educação nunca é prioridade nos governos. Tanto é que a Comissão nem se preocupa com a assimilação da nova grafia pelos professores e com o seu ensino. Com o tempo isso vai sendo assimilado sem grande sofrimento, basta ter contato com a língua escrita. O acordo de unificação não vai nem melhorar nem piorar o ensino do Português nas escolas, porque, nesse caso, o problema está no ensino e na aprendizagem, e não na Língua Portuguesa.”
Leia a reportagem feita por Elisa Marconi e Francisco Bicudo no site do Sinpro-SP e, para saber mais sobre a importância da Reforma, veja a entrevista na íntegra aqui.




Oi Rafa, gostei muito do trecho da entrevista. Nada como um lingüista para esclarecer alguns preconceitos. Vou linkar esse post de vocês.