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Breve diálogo entre uma professora e uma prostituta

*Baseado em um diálogo real (os nomes são fictícios):

Mariana é professora recém-formada de Geografia, leciona em escolas particulares e está ingressando no mestrado em uma universidade pública. Estudou, há tempos, com Silvana, que é prostituta e deixou os estudos durante o ensino médio. Encontram-se na rua, no centro da cidade. A prostituta voltava das compras; a professora caminhava do ponto de ônibus até a escola onde trabalha.

“Por onde andou?”, pergunta Mariana. Segue-se um relato de viagens à Inglaterra, Estados Unidos, Japão. Muitos clientes, muito trabalho, muito dinheiro. Férias ótimas. Silvana indaga Mariana sobre o que ela estava fazendo, estava trabalhando? Ela conta: é professora. “Que legal”, afirma Silvana, pouco convincente. “Mas é difícil, né? Ganha tão pouco, fora a violência, tenho visto na TV…”

Silvana conta que está morando em um duplex emum bairro tradicional da elite da cidade, e convida a professora a fazer uma visita. Mariana está atrasada, conta que mora com o pai em um lugar bastante afastado (“é, não conheço”, diz Silvana), mas que pensa em mudar porque está pagando todas as contas, está pesado, e as escolas onde trabalha são muito distantes, no centro. “Cê tá construindo?”, indaga Silvana, pergunta que mal é entendida por Mariana – cujos planos não incluem, nos próximos anos, a compra de um imóvel ou qualquer coisa que precise de bastante dinheiro.

Mariana olha ao relógio. “Preciso ir. Nos vemos qualquer dia, me ligue”. Despedem-se. Enquanto Silvana se dirige ao estacionamento aonde pegaria seu carro (a propaganda dizia: “o carro de quem fez por merecer”), a professora segue seu caminho, lembrando de como eram nos velhos tempos e percebe, abrindo um leve sorriso pela ironia, que estivera constrangida de dizer a uma prostituta que era professora.

3 Respostas para “Breve diálogo entre uma professora e uma prostituta”

  1. #1 Renan:
    27/11/08 às 21:09

    Triste diagnóstico: uma sociedade que valoriza prostitutas e não professores.

  2. #2 francisco:
    28/11/08 às 09:08

    É o país que torna Bruna Surfistinha destaque internacional, representante da mulher brasileira; é o país que continua vendendo a mulher como atração turística; é o país que mal paga suas professoras, mas dá destaque em todo canto para prostitutas, mesmo que sob nomes mais palatáveis como garotas de programa, artistas, modelos, mulher-alguma-coisa…

  3. #3 Debora:
    05/12/08 às 13:57

    Caramba, arrepiei aqui.

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