A educação no segundo governo Lula

Em 20 de março de 2007, por André Pasti

Presidente Lula e o Ministro da Educação, Fernando Haddad.

Um assunto que têm sido recorrente quando se trata de educação no Brasil é como será tratada a educação no segundo governo de Lula. Como já defendi em discussão com a Débora – que acreditava que Marta Suplicy assumiria o Ministério da Educação – havia sinais de que o presidente não iria inserir o ministério de educação no “câmbio político” de cargos (que ocorre em função da troca de apoio para composição de uma base aliada capaz de aprovar as medidas que o governo deseja). De fato, o Ministério deve ser mantido nas mãos de Fernando Haddad.

Lula definiu a educação como prioridade do novo governo. Em um discurso improvisado em São José dos Campos, o presidente afirmou:

“Eu estou convencido de que nós precisamos fazer uma revolução conceitual na questão da educação brasileira (…) Eu penso que está na hora de a gente fazer uma reversão nessa discussão, que não é uma discussão do governo. Eu disse para o Fernando Haddad nesta semana: a discussão sobre educação não vai ser do governo. O governo pode fazer um esboço, mas nós temos que envolver a sociedade para que a gente forme uma cumplicidade nacional (…) em que a gente possa garantir a oportunidade de a criança não ir para a escola, no ensino fundamental, atrás de uma merenda escolar, mas ir porque a escola é uma coisa prazerosa e, na escola, ela tem o interesse de aprender.

Esse é um desafio da sociedade para uma futura geração. Nós temos o compromisso de não permitir que continuem se acumulando os erros cometidos nesses últimos 30 anos, porque esses jovens que estão aí são o resultado do descaso das últimas três décadas. Eu, pelo menos, quero dar a contribuição para que, daqui a 10 anos, alguém possa, nesta tribuna, fazer o reconhecimento de que, a partir de um determinado momento, o Brasil resolveu parar e cuidar dos seus.”

Saindo do discurso, as propostas do Plano de Desenvolvimento da Educação, apelidado pela mídia de “PAC” da Educação, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento, ainda estão por ser anunciadas, e assim que o forem, serão discutidas aqui. O que já foi antecipado pelo ministro parece ter sido aprovado pela maioria dos educadores. Está previsto um investimento de 8 bilhões de reais.
O descaso com a educação do nosso país – em essencial a educação básica – nos últimos governos levou a uma situação que não pode ser mais prorrogada. O problema está aí, todos conhecem – e já estava aí em 2002, quando Lula assumiu o primeiro mandato. Agora nos resta esperar que nestes quatro anos possamos ver o ínicio das mudanças necessárias para a melhoria desse pilar de sustentação de toda a sociedade: a educação.

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14 Comments

  1. Debora disse:

    Só uma coisa: fico feliz em saber que nosso presidente está convencido da necessidade de uma revolução na educação. Ufa… antes tarde do que nunca.

  2. Genita Campos Garcia disse:

    Devemos acreditar no governo Lula e esperar que le faça alguma coisa, pois o meu filho tem o sonho de fazer o curso de medicina e não tenho condições de pagar, e na universidade Federal e quase impossivel, pois a maioria dos alunos que passam são alunos que estudam em escola particular desde a Educação Infantil.

  3. Genita Campos Garcia disse:

    Devemos acreditar no governo Lula e esperar que le faça alguma coisa, pois o meu filho tem o sonho de fazer o curso de medicina e não tenho condições de pagar, e na universidade Federal e quase impossivel, pois a maioria dos alunos que passam são alunos que estudam em escola particular desde a Educação Infantil. Sou professora e o que ganho não dá para realizar o sonho do meu filho. O nosso Presidente deveria olhar mais com carinho.

  4. Antonio Kuntz disse:

    Caso você não tenha se dado conta ainda, o governo brasileiro permite que a profissão professor seja um sub-emprego, incentivando, através do MEC e outras instâncias, a contratação de professores por hora/aula e por tempo determinado. O que obriga todo professor a procurar emprego a cada seis meses e trabalhar em quatro a cinco escolas diferentes, sem planos de carreira, sem chances de criar vínculos efetivos com qualquer estabelecimento. Infelizmente, este tipo de contexto afasta os melhores profissionais e restam apenas os medianos que por natureza se sujeitam a essa venda de mão de obra quase escravista. Caso o governo proibisse a contratação de professores por hora/aula e por contrato temporário, os estabelecimentos escolares seriam obrigados a se reorganizar para criar e manter equipes melhores e mais engajadas com as propostas educativas e o cotidiano da escola. Teríamos a eduçação de qualidade que tanto almejam e já possuímos no passado. O quadro atual se deve a um pouco de tudo, à ditadura militar, ao anacronismo das idéias socialistas e pedagógicas e ao pseudo neoliberalismo que deu lugar a manipulações de poder que consideram a educação um serviço assistencial como outro qualquer. A ausência de planos gerais ou ideais educacionais pragmáticos nivela a educação à assistência social filantrópica e retira dela o status de privilégio, transformando-a em direito, porém, sem as salvaguardas necessárias que a garantam enquanto qualidade e oportunidade real. No final das contas, o problema educacional é um problema trabalhista, trata-se de mão de obra não organizada socialmente. Em vez de salários, os professores devem lutar pela eliminação da contratação hora/aula e pela proibição de poder trabalhar em mais de um estabelecimento escolar. Todo professor só deveria ser contratado em tempo integral, com dedicação exclusiva. Somente a partir disso os salários subiriam, naturalmente. Pois os professores se tornariam trabalhadores comuns e não mais sub-empregados. A solução é simples e, por isso, mais viável que outras quimeras e pudendices.

  5. [...] Como tem se tornado marca nesse início de atuação do governador, ele segue agindo na contramão do diálogo com estudiosos, educadores e pedagogos, e confiando os rumos na eficiência de suas próprias convicções. Vale lembrar que quando o PDE (”PAC da Educação”, de Lula) foi lançado, foi elogiado por ter a proposta de discutir e construir com educadores e toda a sociedade as medidas a serem tomadas, e criticado por algumas entidades por justamente não ouvir a todos na construção das medidas. [...]

  6. Laís Rodrigues disse:

    É um pouco complicado exigir dos professores dedicação exclusiva,principamente nas universidades, onde professores com titúlo de doutorado, trabalham quarenta horas por mês, para ganher 3.800, como ocorre na universidade estadual que estudo.Por ser estudante do curso de pedagogia, e futura atuante da área,sinto de perto os problemas da educação no Brasil, que nao vem ocorrendo apenas, no ciclo basico da educação.O descaso é total.Necessita de liberdade dos professores, uma autonomia dentro da sala de aula que se dá tanto pela falta de recursos oferecidos pela escola,quanto pela falta de capacitação dos professores.O discurso do presidente, realmente é muito interessante.O meu medo é que fique apenas no discurso…

  7. mendes disse:

    ah quero ver toda essa etica colocada na pratica!!!

    demora hein

  8. mendes disse:

    ah quero ver toda essa etica colocada na pratica!!!

    demora hein!

  9. Vinicius disse:

    Olha estou fazendo uma pesquisa sobre os presidentes será que vocês podem me dar enformações???

    ESTOU ESPPERANDO!!!

    ABRAÇOS

  10. [...] Ministério da Educação, sob comando do já mencionado ministro Fernando Haddad, anunciou recentemente a criação de uma bolsa, nos moldes da bolsa de [...]

  11. Ariana santos Brhemer disse:

    Acho que agora o nosso Presidente esta percebendo qual a realidade quando se fala em Educação neste Pais, pois antes atiravam-se as pedras agora que o mesmo é a vidraça vamos ver como ele se sairá.

  12. Vivian disse:

    Sou educadora a mais ou menos ¨anos e nunca o sal´rio de professor esteve tão defazado deste jeito, dizem que o governo irá estabelecer um piso salarial para professores e dar possibilidades para a formação de professor o que é obrigatório e previsto na LDB, porém até agora nada vi. Em minha cidade o que a prefeitura faz e atira em nossa cara é possibiltar 50% da bolsa de estudo no curso de Pedagogia o qual estou fazendo, mas era para ser feito muito mais, nós precisamos de cursos que nos leve a uma melhor preparação para atendermos melhor nossas crianças, pois todas as profissões se especializam e isso é por direito só o magistério que segue sem se aperfeiçoar, ouvi dizer que agora para ingressar na carreira do magistério tem que fazer prova tipo da OAB ¨piada né¨, precisamos estudar como trabalhar com a inclusão, como fazer como uma criança com necssidades especiais, num digo só os deficients físicos e mentais, mas os que sofrem violencia domésticas e outros tipos de violencias como trabalhar com essa criança? É isso que tem que ser visto e não se o professor é inteligente o suficiente para trabalhar eu nunca vi um professor apaixonado pela profissão se omitir à trabalhar e nâo se preocupem quem num gosta num fica, pois é uma profissão que precisa pensar ao agir não é um lugar onde ficamos paradinhos e de vez em quando aparece serviço é do começo ao fim. Sabe este não foi um comentário e sim um desabafo
    E PRIMEIRO QUE PARA COBRAR ALGO DE ALGUÉM TEMOS QUE DAR OPORTUNIDADES PARA QUE ESTE SAIBA e não ir dando provas classificatórias tipo vc sabe e vc não….. e por aí em diante ………E por falar nisso cadê o dinheiro do FUNDEB que em minha cidade num chegou ainda e se chegou nas creches ainda não atingiu ,pois as vezes precisamos tirar do bolso, para promover atividades diversificadas para as crianças e isso não é gostar de trabalhar e isso não é saber o que faz?

  13. Alexandre disse:

    A educação no Brasil passou por descasos arrepiantes, e ver que alquem está pensando neste problema como uma prioridade como realmente deve ser , é no mínimo gratificante.
    Sou um futuro educador na área de geografia, tenho 18 anos e vivi há muito pouco tempo a realidade da educação no ensino básico e médio, e sinto confirmar que temos uma educação mediocre.
    Apoio a decisão do governo.Agoara só devemos esperar, para confirmarmos se não se trata de simples “política”.

  14. André. disse:

    “A educação no segundo governo Lula” (e não só dele!) No auge da adolescência, morando em um pais de crescimento estrutural acelerado, mas que sempre deixa a desejar na educação, é dificil concluir algo produtivo quanto a tal assunto! O Grande Antonio Kuntz disse tudo “(…)manipulações de poder que consideram a educação um serviço assistencial como outro qualquer.” no meu ponto de vista é ai o inicio de todo o problema. A Educação não deve ser tratada da mesma maneira que o crescimento na população de pombos nas cidades! mesmo com pouquissima experiencia no assunto, fica claro que educação deveria realmente ser prioridade (e isto é claro que não esta sendo), pois pra que serve um pais bem estruturado, com boas propostas de crescimento sem a educação? (pra ter disponivel mão-de-obra barata pra tal crescimento ESTRUTURAL do país?) Disciplina! como pregar isto nas escolas? realmente toda a eduação no Brasil deve ser reestruturada, pois sem motivação ao aluno, como cobrar a disciplina dele? e ao professor? como um professor terá motivação pra cobrar esta disciplina do aluno, da maneira correta sem a devida remuneração? quem é o professor que esta satisfeito em receber um valor absurdamente baixo, pra ensinar aqueles que daqui a alguns anos vão ser o motor de um pais em crescimento e que com certeza (com todo este crescimento estrutural e expancionista) vão receber mais do que aquele velho professor aposentado, que ensinou tudinho a ele!
    O que fazer pra resolver? também não sei! espero algum dia poder contar com uma educação descente, pra que eu (ou qualquer outro na mesma situação) possa algum dia criar alguma solução pra este pais com principios baseados antes de qualquer outra coisa, na educação, que vai levar gerações pra chegar proximo do aceitavel pra um pais com o potencial do Brasil, mas enquanto não for dado inicio a este super plano de “reeducação” NUNCA vai ser possivel chegar a tal merito! (Meu pai ainda me chama de rebelde sem causa! vê se pode?)

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