A Cultura Afro no currículo nacional
A LDB sofreu muitas modificações durante os anos. Uma das mais recentes foi a implementação do ensino fundamental de nove anos, já tratado aqui em outro artigo. Desta vez, tratarei da lei 10.639, de janeiro de 2003, a qual traz alguns parágrafos interessantes:
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)”
“Art. 79-A. (VETADO)”
“Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.”
Contudo, em muitos lugares, após quatro anos de sua aprovação, a lei é ainda ignorada. Muitas vezes simplesmente por falta de capacitação de professores.
As mudanças não estão ocorrendo apenas na parte estrutural, mas também são sentidas na pele por alunos e professores. Estes, agora, têm de buscar atualizações, cursos de extensão e etc; aqueles, terão que se acostumar a conhecer novas culturas e histórias diferentes das quais estamos expostos todos os dias.
Os materiais didáticos já se preocupam em atualizar o conteúdo. A SECAD vem ajudando a produção de materiais didáticos que estejam de acordo com a lei. Em História, será necessário que se trate de dados de países afros, de modo a referenciar suas colonizações e relações com o Brasil. Em Literatura, o movimento de negritude e de países africanos de língua portuguesa são assuntos a serem tratados. O artigo 79-B desta lei propõe a oficialização do dia festivo 20 de novembro no calendário escolar como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.
A professora Fabiana Buitor Carelli Marquezini, da APLL/USP, dará uma palestra de nome “Implicações da Lei Nº 10.639 no Currículo Escolar Brasileiro: as Culturas Africanas e Afro-Brasileiras no Ensino de Literatura no Brasil”, no dia 12 de julho, na Unicamp, em Campinas, durante o 16º Cole.
Gostaria de saber a opinião de vocês sobre assunto. Acham que o aprendizado de culturas afros são de relevante importância na formação de um cidadão? Seria esse mais um passo para a melhor compreensão racial? Ou apenas mais uma daquelas resoluções que são ignoradas e passam a funcionar apenas no papel? Os nossos alunos estão preparados para aprender sobre uma cultura tão pouco divulgada por nossos meios de comunicação?
Um abraço!Leia mais:




Olá Rafael! Super oportuno esse post agora que se debate muito “aproximar a escola do aluno”. Seria essencial trazer a cultura afro para todos, para inclusive entendermos por quê o nosso sotaque é diferente dos lusitanos, por exemplo. É mais do que tardia essa medida, mas claro que vai demorar muito para termos nas escolas Mitologia Afro na grade, história de paises africanos, capoeira como atividade de educação física.