Modelo de “reajuste por mérito” está errado, diz criadora
Não sei se alguém teve a oportunidade de conferir no Estadão a entrevista com Diane Ravitch, uma das principais criadoras e defensoras do modelo de metas, testes padronizados e responsabilização do professor pelo desempenho do aluno nos EUA (chamado aqui de “reajuste por mérito”).
Hoje ela percebe que o sistema está errado e é danoso para a educação!
Principais críticas
Vejam alguns trechos da entrevista em que Diane relata as principais críticas:
“O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo”
“[Avaliações] são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações”.
“Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação”
Ela destaca a questão das fraudes, muito comuns nessa lógica de responsabilização do professor ligada ao desempenho em avaliações. Essas ações foram tomadas sob influência da ideologia empresarial na educação, focando resultados como se o processo educativo fosse um processo industrial.
É bom ver uma autocrítica nesse sentido. Responder bem a testes padronizados não significa, definitivamente, uma boa educação.
Atenção: o modelo está em uso no Brasil
Essas ideias que partiram principalmente dos EUA chegaram à educação brasileira, em especial em governos do PSDB. Entre esses governos, destacam-se as últimas gestões do Estado de São Paulo. Atualmente, na figura de José Serra – agora candidato a presidente - o projeto se coloca como modelo para o Brasil todo.
Outros candidatos e partidos estão seguindo esse discurso – há, inclusive, uma rigidez maior dos testes e metas em nível federal – embora no Estado de São Paulo essa prática tenha chegado ao seu limite, com o reajuste por mérito.
Esperamos que essa reflexão de Diane Ravitch sirva para alertar os futuros professores, gestores de escola e políticos de que esse modelo não nos serve. Ele ajuda a controlar, uniformizar, padronizar e, sobretudo, ajuda a inserir cada vez mais a lógica da competitividade na escola, mas é danoso à formação ampla dos estudantes e à construção de uma educação que faça sentido.
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Vejo as fraudes como principal barreira neste modelo, porém vale a pena ser estudado com mais rigor, visto que solucionado este problema passa a ser muito interessante.
Abraços
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